# RFC ProtectChain-001 — ProtectChain: prova de anterioridade autoral ancorada e cofre de conteúdo consentido

- **Status:** **Especificação Aberta (Open Specification)** — Rascunho v0.3
- **Versão:** 0.3
- **Data:** 2026-09-09
- **Organização:** **Global Innovation Technology LTDA** — GlobalCopyrights.org
- **Autores:**
  | Autor | Papel | Identificador |
  |---|---|---|
  | **Orlando Tempobono** | Autor principal | ORCID [0009-0002-2533-7446](https://orcid.org/0009-0002-2533-7446) |
  | **Nelson Tempobono** | Coautor | — |
  | **Lucas Tempobono** | Coautor | — |
  | **Felipe Tempobono** | Coautor | — |
  | **Clara Tempobono** | Coautora | — |
- **Contato:** contact@globalcopyrights.org
- **Aplica-se a:** ProtectChain (rede) + integração com GlobalCopyrights.org (gcorg)
- **Escopo de mercado:** **global/internacional**. A fundamentação é deliberadamente
  **agnóstica a jurisdição**: apoia-se em tecnologia universal (Ed25519, RFC 3161, OpenTimestamps/
  Bitcoin, C2PA) e **não** depende de infraestruturas regionais de PKI (ex.: não usamos ICP-Brasil).
- **Licença:** texto sob **CC BY 4.0**; implementação **livre de royalties**; marca **ProtectChain™**
  reservada. Ver §0 (Licença e uso).

> **Changelog**
> - **0.3:** promove o documento a **Especificação Aberta**; adiciona §0 (licença CC BY 4.0,
>   concessão de implementação livre de royalties, reserva de marca e regra de citação); registra
>   autoria nominal e ORCID; declara intenção de publicação (DOI/Zenodo e IETF Internet-Draft).
> - **0.2:** adiciona §5A (assinatura de artefatos) e §8A (uso de IA na criação vs. proteção
>   anti-coleta como eixos independentes); remove qualquer dependência de ICP-Brasil; reforça escopo global.

---

## 0. Licença e uso (Especificação Aberta)

A ProtectChain é publicada como **padrão aberto**: qualquer pessoa ou organização **PODE**
implementá-la, estudá-la, redistribuí-la e construir produtos sobre ela, **desde que cite a fonte e
os autores**.

### 0.1 Licença do texto — CC BY 4.0
Este documento é licenciado sob **Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)**
— https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ . Você **PODE** copiar, redistribuir, adaptar e usar
comercialmente, **desde que** dê o crédito apropriado, indique se houve alterações e forneça um link
para a licença.

**Forma de citação recomendada:**
> Tempobono, O.; Tempobono, N.; Tempobono, L.; Tempobono, F.; Tempobono, C. (2026).
> *RFC ProtectChain-001 — ProtectChain: prova de anterioridade autoral ancorada e cofre de conteúdo
> consentido*, v0.3. Global Innovation Technology LTDA / GlobalCopyrights.org.
> ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2533-7446

### 0.2 Implementação — concessão livre de royalties
Os autores concedem, de forma **irrevogável, mundial, não exclusiva e livre de royalties**, o direito
de **implementar** o protocolo aqui descrito — incluindo operar nós, produzir software compatível e
interoperar com a rede — sem necessidade de licença adicional ou pagamento.

### 0.3 Marca reservada
**ProtectChain™** e os selos/identidade visual da **GlobalCopyrights.org** **NÃO** são licenciados
por este documento e permanecem de titularidade da **Global Innovation Technology LTDA**.
Implementações independentes **PODEM** declarar compatibilidade (ex.: *"compatible with the
ProtectChain specification"*), mas **NÃO DEVEM** usar a marca de modo a sugerir origem, endosso ou
certificação oficial sem autorização escrita.

### 0.4 Sem garantia
O documento é fornecido "**no estado em que se encontra**", sem garantias de qualquer natureza. A
adoção da especificação é de responsabilidade do implementador.

### 0.5 Publicação e identificadores
- **Registro primário de autoria/data:** o próprio documento é registrado na **ProtectChain** e
  ancorado via **OpenTimestamps/Bitcoin** e **TSA RFC 3161** (dogfooding da própria tese).
- **Identificador acadêmico:** pretende-se emitir um **DOI** (Zenodo) para citação formal.
- **Trilha de padronização:** pretende-se submeter um **Internet-Draft** à IETF (via *Independent
  Submission Stream*, categoria Informational). Os autores reconhecem que a submissão à IETF exige a
  concessão de direitos ao **IETF Trust** (BCP 78/79), o que **coexiste** com a licença CC BY 4.0
  aqui adotada.

> As palavras-chave **DEVE**, **NÃO DEVE**, **DEVERIA**, **NÃO DEVERIA** e **PODE**
> neste documento seguem o sentido do RFC 2119 (requisitos normativos).

---

## Abstract

A **ProtectChain** é uma blockchain **permissionada** (privada, com nós autorizados) operada
pela GlobalCopyrights, cujo propósito é produzir **prova de anterioridade** de obras autorais:
atestar, de forma verificável e resistente a adulteração, que **um determinado conteúdo existia
numa determinada data sob a autoria declarada por um determinado usuário**.

Dois princípios a fundamentam:

1. **A obra nunca entra na chain.** A ProtectChain registra **apenas impressões digitais
   criptográficas (hashes) e metadados** — jamais o conteúdo do autor. A prova é sobre a
   *existência* do conteúdo, não uma cópia dele.
2. **A confiança não depende só de nós.** Como todos os nós iniciais pertencem ao mesmo operador,
   cada bloco é **ancorado em livros públicos independentes** (Bitcoin via OpenTimestamps e
   Autoridades de Carimbo do Tempo RFC 3161), tornando a data **inforjável mesmo pelo próprio
   operador**. A federação futura com nós de terceiros reforça a descentralização.

A ProtectChain sustenta ainda um segundo produto: o **Cofre de Conteúdo** — o upload do autor é,
por padrão, **inacessível a crawlers de busca e de IA**, e só se torna público/indexável por
**ação consentida e explícita do autor**, ato esse **irreversível** e também registrado na chain.

---

## 1. Motivação

O direito autoral nasce automaticamente com a criação (Convenção de Berna; Brasil: Lei 9.610/1998,
art. 18 — a proteção independe de registro). O problema prático não é *ter* o direito, mas
**provar autoria e anterioridade** num litígio. Serviços de "prova de anterioridade" resolvem isso
gerando evidência datada. A fragilidade típica desses serviços é que a data depende do banco de
dados do próprio provedor — que poderia, em tese, retroagir registros.

A ProtectChain elimina essa fragilidade com **ancoragem externa** e prepara o terreno para
**federação independente**, ao mesmo tempo em que **preserva o sigilo** da obra (nunca a expõe) e
abre um novo produto de **proteção contra coleta não autorizada por IA/crawlers**.

## 2. Terminologia

- **Registro (record):** conjunto de hashes + metadados de uma obra submetido à chain. NÃO contém o conteúdo.
- **Bloco (block):** lote de registros selado, encadeado ao anterior por hash e assinado por um nó sealer.
- **Nó (node):** servidor participante. Papéis: **sealer** (produz blocos) e **validator** (valida/co-assina).
- **Âncora (anchor):** prova externa da existência de um bloco num livro público (Bitcoin/OTS ou TSA RFC 3161).
- **Cofre (vault):** armazenamento do conteúdo do autor no gcorg, cifrado e não indexável por padrão.
- **Liberação (release):** ato consentido e explícito do autor que torna uma obra pública/indexável — **irreversível**.
- **Assinatura destacada (detached):** assinatura criptográfica sobre o *hash* do arquivo, guardada
  fora dele; funciona para **qualquer** formato e não altera o arquivo original.
- **Assinatura embutida (embedded):** assinatura gravada **dentro** do arquivo, quando o formato a
  suporta (PDF/PAdES, Office/OOXML, C2PA para imagem/vídeo).
- **Declaração de uso de IA (AI-usage disclosure):** metadado **opcional** em que o autor informa se/como
  usou IA como ferramenta na criação. É **transparência**, **nunca** condição para registrar.

## 3. Princípios de design

1. **Privacidade por construção.** O conteúdo do autor **NÃO DEVE** ser transmitido, armazenado ou
   derivável a partir da ProtectChain. Apenas `sha256`, `sha512` e metadados declarados trafegam.
2. **Prova, não posse.** Um registro prova que um arquivo com aquele hash existia numa data — não
   prova, por si só, a originalidade (isso é uma **autodeclaração** do autor, ver §10).
3. **Confiança em camadas.** A data de um bloco é sustentada por (a) assinatura do nó, (b) carimbo
   RFC 3161 de uma TSA independente, (c) ancoragem no Bitcoin. Comprometer a data exigiria quebrar
   as três — inclusive a mais forte, o Bitcoin.
4. **Poder no autor.** Todo conteúdo é privado por padrão; qualquer exposição é opt-in explícito,
   granular e auditável — e a irreversibilidade é comunicada antes do ato.
5. **Portabilidade dos nós.** Um nó **DEVE** rodar em hardware modesto (LXC) e ser autossuficiente,
   para viabilizar SP/CS/PI hoje e terceiros amanhã.

## 4. Arquitetura da chain

### 4.1 Topologia inicial
Três nós próprios, um por sítio, para tolerância a falha geográfica:

| Nó | Sítio | Papel inicial |
|---|---|---|
| `pc-sp` | São Paulo | validator (e sealer de contingência) |
| `pc-cs` | cluster CS | **sealer** primário |
| `pc-pi` | cluster PI | validator |

No protótipo (fase 0) há **um único nó** (`pc-dev-dock`) em dev, exercendo sealer, para validar o
software ponta a ponta antes de provisionar as LXCs dedicadas.

### 4.2 Estrutura canônica

**Registro** — `record_hash` é o sha256 da forma canônica (campos separados por `\n`):
```
record\n <node_id>\n <work_ref>\n <sha256>\n <sha512>\n <declared_at>\n <received_at>\n <cert_code>
```
Campos: `work_ref` (id da obra no gcorg), `sha256`/`sha512` (hashes do arquivo do autor, calculados
no gcorg), `declared_at` (data declarada de criação), `received_at` (instante UTC no nó), `cert_code`.
Metadados extras opcionais vão em `payload` (JSON) — **nunca** o conteúdo.

**Bloco** — encadeado e assinado:
```
merkle_root = raiz de Merkle (sha256 pareado) dos record_hash do lote
block_hash  = sha256( "block\n"<index>\n<prev_hash>\n<merkle_root>\n<created_at>\n<node_id>\n<record_count> )
signature   = Ed25519( block_hash )  pelo nó sealer
```
O bloco **gênese** (índice 1) tem `prev_hash = 0×64` e nenhum registro.

### 4.3 Consenso — Proof-of-Authority (PoA)
Somente nós **autorizados** (lista de chaves públicas mantida pela governança da GlobalCopyrights)
produzem/validam blocos. O sealer designado sela o lote; validators **DEVERIAM** recomputar
`block_hash`, checar o encadeamento e **co-assinar** (tabela `cosigns`), elevando a robustez de um
bloco proporcionalmente ao nº de co-assinaturas independentes. PoA é adequado porque a identidade
dos operadores é conhecida e auditável — não há necessidade de mineração/PoW.

### 4.4 Identidade e chaves
Cada nó possui um par **Ed25519**; a chave privada **NÃO DEVE** deixar o nó. A pública identifica o
nó na chain e permite verificação por qualquer terceiro. Rotação de chave **DEVE** ser registrada
como evento na própria chain.

## 5. Ligação com outras chains (fundamento de confiança)

A ProtectChain não vive isolada: ela **ancora** o resumo de cada bloco em sistemas que ela **não
controla**, importando a imutabilidade deles.

### 5.1 OpenTimestamps → Bitcoin
Para cada bloco, o `block_hash` é submetido ao **OpenTimestamps**, que o agrega (com milhares de
outros do mundo) e o compromete na blockchain do **Bitcoin**. A prova (`.ots`) nasce *pendente* e
**amadurece** em ~1–3h quando o bloco Bitcoin confirma. Resultado: provar que um `block_hash` (e,
por Merkle, cada registro dentro dele) existia **antes** de um bloco Bitcoin específico —
inforjável inclusive pelo operador. Custo: **zero** (não há transação própria nem taxa).

### 5.2 Carimbo do Tempo RFC 3161 (TSA)
Em paralelo, o `block_hash` recebe um **carimbo do tempo assinado** por uma Autoridade de Carimbo
do Tempo independente (fase 0: **FreeTSA**, gratuita). Vantagem: é **instantâneo** — cobre a janela
enquanto o OpenTimestamps amadurece. RFC 3161 é um **padrão internacional**, verificável em qualquer
país. Evolução: usar **múltiplas TSAs internacionais** independentes (redundância de jurisdições),
sem depender de nenhuma PKI regional específica. **Não** adotamos ICP-Brasil ou equivalentes
nacionais — o produto é global e a prova deve valer no mundo todo pela tecnologia, não por
credenciamento local.

### 5.3 Disciplina de tempo (NTP / relógio atômico)
Os nós **DEVEM** ter o relógio disciplinado por fontes atômicas de referência via NTP —
recomendado **`ntp.br`** (Observatório Nacional, Hora Legal Brasileira) como primário e
**`time.nist.gov`** (NIST-F2, EUA) + `pool.ntp.org` como redundância. Observação: a exatidão do
relógio interno é para *precisão e citação*; a **inforjabilidade** da data vem das âncoras (§5.1/5.2),
não do relógio.

### 5.4 Modelo de confiança em camadas
```
  Assinatura do nó (Ed25519)     → autenticidade/autoria do bloco
+ Co-assinaturas (federação)     → descentralização
+ TSA RFC 3161 (independente)    → data assinada, instantânea
+ OpenTimestamps / Bitcoin       → data inforjável, pública
= a data de um registro só cai se TODAS as camadas caírem juntas
```

## 5A. Assinatura de artefatos (viabilidade por formato)

"Assinar o arquivo do autor" e "registrar o hash" são coisas diferentes: **hash ≠ assinatura**. O
hash prova *integridade* (é este conteúdo); a **assinatura** prova *autenticidade* (quem avaliza e
quando) ao cifrar o hash com uma chave privada. Na ProtectChain, **o hash do arquivo já é assinado**
(Ed25519 do nó) e carimbado/ancorado — ou seja, **produzimos uma assinatura digital destacada sobre
o conteúdo, para qualquer formato**.

### 5A.1 Modelo base — assinatura DESTACADA (universal) — **NORMATIVO**
O sistema **DEVE** tratar toda obra pela via destacada: calcula-se `sha256`/`sha512` do arquivo
original (seja **vídeo, .docx, .xlsx, .pptx, .jpg, .png, .zip, .tar.gz, binário cru** — qualquer
um), e a ProtectChain assina/ancora esse hash. Isso **não altera** o arquivo do autor e é uniforme
para 100% dos formatos. É o alicerce e não depende do formato.

### 5A.2 Camada opcional — assinatura EMBUTIDA (por formato) — **OPCIONAL**
Quando o autor quiser um arquivo **autocontido** e o formato suportar, o sistema **PODE** oferecer
assinatura embutida:

| Formato | Suporte | Padrão |
|---|---|---|
| PDF | ✅ | PAdES |
| .docx/.xlsx/.pptx | ✅ | Assinatura OOXML (o pacote Office é ZIP com slot de assinatura) |
| .jpg/.png/.mp4 (imagem/vídeo) | ✅ | **C2PA / Content Credentials** (ver §5A.4) |
| .zip/.tar.gz/arbitrário | ❌ | não há padrão embutido → somente destacada |

**Regra de integridade — NORMATIVO:** assinar de forma embutida **altera o arquivo e portanto seu
hash**. O registro primário na chain **DEVE** ser sempre o hash do **original**; a versão assinada
embutida é um **derivado**, com seu próprio hash, que **PODE** ser registrado como artefato vinculado.
Nunca se substitui o original pelo derivado sem manter o vínculo.

### 5A.3 Assinante — quem avaliza — **INFORMATIVO**
- **Nó (padrão):** a ProtectChain assina — prova "registrado na GlobalCopyrights/ProtectChain na data X". Zero fricção para o autor.
- **Chave do autor (opcional, avançado):** o autor assina com chave própria — prova pessoal, ao custo de gestão de chaves.
- Deliberadamente **não** adotamos autoridades de certificação **regionais** (ex.: ICP-Brasil) — a
  confiança vem da tecnologia universal e das âncoras públicas, válidas globalmente.

### 5A.4 C2PA / Content Credentials — item de estudo (ligado ao Cofre anti-coleta)
O **C2PA** é o padrão de indústria (Adobe, Microsoft, BBC e outros) de **provência de conteúdo**:
metadados **assinados** embutidos em imagem/vídeo dizendo origem, autoria e histórico de edição —
incluindo **se e como IA foi usada**. É estratégico porque:
- serve de **assinatura embutida** para mídia (foto/vídeo);
- carrega a **declaração de uso de IA** (§8A) de forma padronizada e assinada;
- conversa com o **Cofre** (§8): quando reservado, sinaliza "uso não autorizado para treino"; quando
  liberado, sinaliza a permissão — sempre por escolha do autor.
Fica marcado como **estudo de fase 2/3**, sobre a base destacada já existente.

## 6. Federação e remuneração (fase 2+)

Terceiros (pessoas/organizações) **PODERÃO** operar nós, mediante **cadastro e autorização prévios**
pela governança (KYC do operador + aceite de termos + adição da chave pública à lista de autoridades).
Um nó de terceiro:

- Recebe e **co-assina** blocos, aumentando a independência da prova.
- **PODE** ser **remunerado** por disponibilidade e co-assinações válidas, segundo um esquema de
  incentivo (ex.: pagamento por bloco co-assinado dentro de SLA de tempo/uptime), liquidado
  periodicamente. Regras de corte (slashing) para nó que assinar bloco inválido/divergente
  **DEVERIAM** existir para desincentivar má-fé.
- **NÃO** tem acesso ao conteúdo das obras (apenas hashes/metadados) — a federação amplia a prova
  **sem** ampliar a superfície de exposição do conteúdo.

Governança, tabela de remuneração e critérios de admissão serão objeto de **RFC ProtectChain-002**.

## 7. O que **não** trafega (garantia de sigilo)

| Dado | Onde vive | Vai para a chain? |
|---|---|---|
| Arquivo/obra do autor | Cofre no gcorg (cifrado) | **NUNCA** |
| sha256 / sha512 do arquivo | gcorg → chain | Sim (só o hash) |
| Metadados declarados (título? autor_ref, datas, cert_code) | gcorg → chain | Sim (mínimos necessários) |
| Dados pessoais sensíveis do autor | gcorg | **NÃO** (só um `author_ref` opaco) |

Assim, mesmo um nó de terceiro (fase 2) ou qualquer pessoa lendo a chain **não consegue** reconstruir
a obra nem identificar diretamente o autor — apenas verificar a existência/data.

## 8. Cofre de Conteúdo — proteção contra crawlers e IA (2º produto)

Além de *provar*, a GlobalCopyrights **protege**: o conteúdo do autor não deve vazar para
mecanismos de busca nem para coletores de treinamento de IA sem consentimento.

### 8.1 Privado por padrão
Todo upload entra no **Cofre**: armazenamento **cifrado**, servido **apenas** sob autenticação do
dono, **sem URL pública**, **sem** aparecer em sitemap/oEmbed/preview, com respostas carregando
`X-Robots-Tag: noindex, noimageai, noai` e o arquivo fora de qualquer diretório rastreável. O objetivo
declarado: **nem crawler de busca nem crawler de IA acessa o conteúdo** — evitando cópia e uso como
"inspiração"/treinamento não consentido.

### 8.2 Camadas técnicas de bloqueio (defesa em profundidade)
- **Autorização obrigatória** em toda entrega de arquivo (nada de link direto público).
- **`robots.txt`** desautorizando a área do cofre + **`X-Robots-Tag`** por resposta.
- **Sinais anti-IA** reconhecidos: `noai`/`noimageai`, **`ai.txt` / TDM Reservation Protocol
  (`tdmrep.json`)**, `llms.txt` marcando o conteúdo como **não** disponível.
- **Bloqueio de user-agents** de coletores conhecidos (GPTBot, CCBot, Google-Extended, etc.) e
  *rate-limiting*/desafio a bots no perímetro (traefik/WAF).
- **Marca d'água/rastro** opcional no material exibido, para atribuição.

> Nota honesta: nenhum bloqueio é 100% contra um ator malicioso que ignore convenções; a força do
> produto é **(a)** tornar a coleta tecnicamente inconveniente e **(b)** deixar **prova registrada**
> de que o conteúdo estava marcado como reservado — o que sustenta ação contra uso indevido.

### 8.3 Liberação consentida (opt-in do autor)
No painel, o autor **PODE** liberar uma obra (total ou parcialmente) para o público. A liberação:
- É **explícita e granular** (por obra, e por campo: pode liberar título/resumo e manter o arquivo privado).
- Exige **confirmação informada** de que o passo é **IRREVERSÍVEL** uma vez indexado externamente
  (uma vez que buscadores/IAs copiaram, não há como "despublicar" o que já foi coletado).
- Gera um **evento de liberação registrado na ProtectChain** (com seu próprio timestamp e âncoras),
  provando *quando e o quê* o autor consentiu em abrir.

### 8.4 Publicação e indexação assistida (consentida)
Quando o autor libera, a GlobalCopyrights **estimula** a difusão — agora **com consentimento**:
- Gera uma **URL pública aberta** para a obra/verificação.
- Produz automaticamente artefatos amigáveis a indexação **e a IAs**: **`.md`**, **JSON-LD**
  (schema.org `CreativeWork`), **`sitemap.xml`**, feed, e um **`llms.txt`** que — ao contrário do
  cofre — agora **permite** e descreve o conteúdo para consumo por IA.
- Inverte os sinais anti-IA para *permitir* (remoção do `noai`, entrada no `tdmrep` como permitido, etc.).

Ou seja, o **mesmo maquinário** que protege serve para promover — a chave é sempre o **consentimento
do autor**, e o sistema deixa isso claro e auditável.

### 8.5 Irreversibilidade — registrada
O ato de liberação **DEVE** ser precedido de aviso inequívoco e **DEVE** ser gravado na chain como
evento imutável. Assim, fica provado que o conteúdo público foi **decisão consciente do autor** em
data X — protegendo tanto o autor quanto a GlobalCopyrights.

## 8A. Dois eixos independentes: uso de IA na criação × proteção anti-coleta

É **essencial** não confundir dois assuntos ortogonais. Tratá-los como um só levaria a excluir
clientes legítimos.

### 8A.1 Eixo A — proteção contra coleta (crawlers de busca e de IA)
É sobre **quem pode acessar/indexar** a obra depois de registrada. Controlado **exclusivamente pelo
autor** (privado por padrão; liberação opt-in, §8.3–8.4). Aplica-se **independentemente** de como a
obra foi criada.

### 8A.2 Eixo B — uso de IA como ferramenta na criação
É sobre **como a obra foi feita**. Muitos autores usam IA como **ferramenta** (assistência, geração,
edição). Isto **NÃO DEVE** ser impedimento ao registro — a ProtectChain registra **autoria e
anterioridade declaradas**, **não** julga o processo criativo.
- O autor **PODE** (opcional) preencher uma **declaração de uso de IA** — ex.: `none` / `assisted` /
  `ai-generated` / `mixed` — puramente como **transparência**. O sistema **NÃO DEVE** recusar,
  penalizar ou expor essa escolha sem consentimento.
- Quando presente, essa declaração **PODE** ser propagada de forma padronizada via **C2PA** (§5A.4)
  para artefatos de mídia.

### 8A.3 Por que separar
Um autor que gerou a obra **com** ajuda de IA **pode**, ainda assim, querer **proteger** essa obra
contra coleta por outras IAs (Eixo A = reservado). E um autor que criou **sem** IA nenhuma **pode**
querer **liberar** para indexação (Eixo A = liberado). As combinações são livres e ambas legítimas —
os dois eixos são configurados **separadamente** pelo autor, sempre com ele no controle.

## 9. Fluxos

**Registro de obra (privado):** autor sobe arquivo → gcorg cifra no Cofre e calcula sha256/sha512 →
gcorg `POST /records` na ProtectChain (só hashes+metadados) → nó gera `record_hash` (pendente) →
selagem periódica cria bloco assinado → âncoras FreeTSA (imediata) + OpenTimestamps (amadurece) →
gcorg guarda `block_index`, `block_hash`, refs de âncora em `blockchain_records`.

**Verificação (pública):** qualquer um faz `GET /verify/{cert|sha256}` → recebe registro, bloco,
âncoras e resultado de checagem de cadeia/assinatura. Para provar um arquivo, recalcula-se o sha256
e compara-se com o registrado.

**Liberação (consentida):** autor confirma no painel (aviso de irreversibilidade) → gcorg publica
artefatos (URL, .md, JSON-LD, sitemap, llms.txt) e inverte sinais anti-IA → evento de liberação é
registrado na ProtectChain.

## 10. Certificado e linguagem correta

O certificado emitido **DEVE** declarar com precisão, sem prometer mais do que a lei permite:

> *"Este certificado registra uma **autodeclaração de autoria**. A GlobalCopyrights atesta que, na
> data **X** (UTC), o autor **Y** registrou em nossos sistemas e na **ProtectChain** uma obra cujo
> conteúdo corresponde à impressão digital **SHA-256: …** (e SHA-512: …). O registro consta do bloco
> **#N** da ProtectChain (hash …), com carimbo do tempo **RFC 3161** emitido por **[TSA]** em **T** e
> ancoragem em **Bitcoin** via OpenTimestamps (prova …). A verificação independente está disponível
> em **[URL]**. Este documento comprova a existência do conteúdo na referida data e a declaração de
> autoria feita por Y; não constitui, por si, prova absoluta de originalidade."*

## 11. Considerações de segurança e privacidade

- **Sigilo do conteúdo:** garantido por design (§7); nem a chain nem nós federados o veem.
- **Chaves dos nós:** Ed25519, privadas locais, rotação registrada.
- **Superfície de API:** submissão de registros exige **Bearer** por nó/cliente; verificação é pública e read-only.
- **Disponibilidade:** três sítios + selagem idempotente; um nó fora não perde registros pendentes.
- **Ameaça de retroação:** mitigada pelas âncoras externas — a chain não pode "reescrever o passado".
- **LGPD:** metadados na chain **DEVEM** ser minimizados; `author_ref` opaco, sem PII na chain.

## 12. Considerações jurídicas

A ProtectChain **produz meio de prova** (evidência de anterioridade + autodeclaração), não substitui
registro oficial (ex.: US Copyright Office, WIPO, órgãos nacionais equivalentes). A comunicação ao
usuário **DEVERIA** distinguir "proteção/registro na plataforma" de "registro público oficial".
As âncoras (Bitcoin/TSA RFC 3161) aumentam substancialmente o peso probatório de forma **verificável
em qualquer jurisdição** — que é o objetivo, já que o produto é **global**. Deliberadamente **não**
nos amarramos a esquemas nacionais de presunção legal (ex.: ICP-Brasil): a força vem da tecnologia
universal e da verificabilidade pública, aceitas internacionalmente.

## 13. Roadmap

- **Fase 0 (atual):** nó único em dev (`pc-dev-dock`), selagem + âncoras + verificação; integração gcorg; texto do certificado.
- **Fase 1:** 3 nós próprios (SP/CS/PI) em LXC dedicada; PoA multi-nó com co-assinatura; disciplina NTP (ntp.br/NIST); painel admin da chain.
- **Fase 2:** Cofre de Conteúdo completo (bloqueio anti-crawler/IA + liberação consentida + artefatos de publicação).
- **Fase 3:** Federação de terceiros com cadastro/autorização e **remuneração** (RFC ProtectChain-002); múltiplas TSAs internacionais; C2PA para mídia.

## Apêndice A — Endpoints do nó (fase 0)

```
GET  /health                     identidade do nó + altura
GET  /chain?from=&to=            lista de blocos
GET  /block/{id}                 bloco + registros + âncoras
GET  /verify/{cert|sha256|hash}  prova de um registro
POST /records    (Bearer)        submete registro (só hashes+metadados)
POST /seal       (Bearer)        sela pendentes + ancora
POST /anchor/upgrade (Bearer)    amadurece provas OpenTimestamps
```

## Apêndice B — Formas canônicas
Ver §4.2. `record_hash` e `block_hash` são sha256 de strings canônicas com campos separados por `\n`;
assinatura de bloco é Ed25519 sobre o `block_hash` em hexadecimal ASCII.
